quinta-feira, 31 de março de 2011

O Mundo (virtual) do Sítio

Em breve vai chegar à internet O Mundo do Sítio, um mundo virtual para crianças 5 a 10 anos baseado na obra de Monteiro Lobato. 

Serão mais de 20 jogos e atividades espalhados pelos reinos mágicos idealizados por Lobato: Capoeirão dos Tucanos, Reino das Águas Claras e Sítio do Picapau Amarelo. No Capoeirão dos Tucanos habitam o curupira, a mula sem cabeça, o lobisomem, a caipora e a Cuca.  No Reino das Águas Claras está o Doutor Caramujo, a Dona Aranha, o Major Agarra e o Príncipe Escamado.  Na Grécia ficam os deuses do Olimpo e o labirinto do Minotauro. No Sítio, as crianças vão conhecer a casa da Dona Benta e seus arredores, como o pomar das jabuticabeiras da Narizinho, o paiol da Vaca Mocha e o poço de petróleo do Visconde. As crianças poderão brincar e conversar enquanto passeiam pelos reinos.



No cantinho Terra Encantada da Sabedoria as crianças vão poder brincar e aprender com jogos educativos, conhecer um pouco mais sobre a vida do autor no Museu do Lobato e ler os textos do Sítio do Picapau Amarelo. As obras vão ganhar glossários interativos, trilha sonora e narração de Denise Fraga. 

O Mundo do Sítio terá também uma rede social. As crianças poderão encontrar os seus amigos reais e enviar mensagens divertidas. O bate-papo vai trazer frases predeterminadas e imagens inspiradas no cenário do Sítio. No Cantinho dos Pais os adultos poderão conferir as atividades realizadas pela criança – com quem ela conversa, que livros lê e quanto tempo fica no mundo virtual.

O Blog do Sítio vai tratar de assuntos importantes para os pais, educadores e crianças que queiram se aprofundar na obra de Monteiro Lobato, abordando desde a segurança na internet até dicas para professores e sugestões de leitura.

O Mundo do Sítio ainda está em construção, mas você já pode se cadastrar no site e testar alguns dos jogos e atividades e dar a sua opinião.
Facebook: www.facebook.com/mundodositio.com.br



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segunda-feira, 28 de março de 2011

O segundo filho tem menos chance de se tornar bilíngue?

Poucos estudos sobre bilinguismo examinam lares com vários filhos. A maioria estuda casos de filhos únicos ou acompanha famílias apenas antes do segundo filho nascer ou começar a falar. Portanto, pouco se escreve sobre a influência da ordem de nascimento nas chances de uma criança se tornar totalmente bilíngue. Na prática, no entanto, fiz algumas observações que parecem ser confirmadas pelo resultado dos poucos estudos que consegui encontrar.

Na maioria das famílias de brasileiros que conheço que criaram mais de um filho no exterior, o segundo filho tem menos domínio do português que o primeiro, em muitos casos tendo apenas domínio passivo da língua (veja o post Bilinguismo passivo – Quando a criança se recusa a falar português), ou seja, entende mas não fala português, e os irmãos normalmente falam apenas a língua majoritária entre si.



Claro que, como quase tudo que tem a ver com bilinguismo, aqui não existe uma regra; cada caso é um caso. Conheço pessoas que consideraram a educação bilíngue de um segundo filho muito fácil, dizendo que o filho mais velho foi um dos principais responsáveis pelo ensino do português ao mais novo. Conheço também uma família em que o primeiro filho tem apenas domínio passivo do português, enquanto que o segundo fala um pouco, apesar de estar longe de ser fluente.

No entanto, a realidade é que a chegada do segundo filho pode alterar o sistema linguístico doméstico de uma família de forma que os pais não têm controle total da situação.

O que dizem os pesquisadores
Pesquisas demonstram que os filhos mais velhos e os mais novos têm acesso a experiências de aprendizado linguístico diferentes. Essa diferença está principalmente no fato de filhos mais velhos terem mais oportunidades de interação direta e individual com os pais. Os nascidos subsequentemente têm menos interação direta devido à presença de irmãos mais velhos, geralmente sendo expostos mais a conversações com três ou mais participantes (mãe/pai + filho mais velho + filho mais novo).

Num estudo de famílias imigrantes nos Estados Unidos feito em 1991, Wong Fillmore observou que os filhos mais novos tendiam a ter inglês como língua dominante e a não aprender a língua dos pais. No mesmo ano, um estudo feito por Joshua Fishman, também com famílias imigrantes nos Estados Unidos, concluiu que os primogênitos tendiam a aprender inglês quando entravam na escola, mas os mais novos aprendiam inglês antes de entrar na escola porque o irmão mais velho trazia a língua até eles em casa.

Entre as poucas pesquisas sistemáticas feitas sobre a questão, um estudo conduzido pelo pesquisador Alexandr Jarovinskij em 1995 investigou crianças vivendo na Hungria com mães russas e pais húngaros e demonstrou que a maioria dos primogênitos tinha uma experiência linguística mais intensa e era mais fluente em russo que seus irmãos mais novos. O pesquisador observou que as mães normalmente falavam cara a cara com os primogênitos mas raramente criavam situações que permitiam uma interação separada com os filhos subsequentes. Estes tinham húngaro como língua dominante, e a regra geral era as crianças falarem húngaro entre si.

Em 1998 foi publicado o resultado de um estudo indicando que a ordem de nascimento tem influência na aculturação de crianças japonesas vivendo nos Estados Unidos e que os primogênitos têm maior probabilidade de aprender a ler e falar japonês que os nascidos subsequentemente.

Uma pesquisa feita no Japão por Laurel Diane Kamada estudou durante 6 anos a disparidade no grau de proficiência no bilinguismos de irmãos em 23 famílias e considerou os fatores que contribuiam para tal. A disparidade notada foi a menor proficiência na língua minoritária por parte de irmãos mais novos, em geral resultando em bilinguismo passivo quando, segundo os estudiosos, deveria haver bilinguismo produtivo.

Em 2002 Sarah J. Shin, da University of Maryland, publicou os resultados de uma pesquisa feita com filhos de imigrantes coreanos nos Estados Unidos que também demonstrou essa disparidade e analisou as razões que levavam a ela.

Fatores que causam a disparidade
Segundo os pesquisadores, os principais fatores que influenciam a disparidade na aquisição da língua minoritária pelo segundo ou terceiro filho são:

Disponibilidade e prioridades
Crianças nascidas subsequentemente recebem menos atenção dos pais que o primogênito. O segundo filho já não é a maior prioridade dos pais como o primogênito geralmente é. A quantidade e a qualidade do tempo que o pai/mãe falante da língua minoritária passa com o segundo filho é menor que com o primeiro. Os pais são mais jovens, têm mais vitalidade e menos responsabilidades quando o primeiro filho nasce, comparado com a época em que o segundo chega. Os primogênitos estão mais expostos à comunicação direta com os pais do que os nascidos depois. A consequência é que os mais velhos passam a ter mais fluência na língua minoritária que os irmãos.

Um ponto interessante é que as pesquisas notaram que alguns pais demonstram uma clara preferência por falar a língua minoritária com o primogênito e a língua majoritária com o segundo ou terceiro filho, e tendem a usar a língua majoritária mais com o segundo ou terceiro filho do que com o primeiro.

Influência do irmão mais velho
Um outro fator que inibe o aprendizado de uma língua minoritária pelo segundo filho é já haver outra criança em casa desde o seu nascimento. A principal consequência disso é a questão da língua usada entre irmãos.

Os casos em que os filhos se comunicam entre si em português são uma minoria. Muitas vezes o filho mais velho prefere falar na língua majoritária (por exemplo inglês, se moram na Inglaterra) com o irmãozinho, por considerá-la mais importante que o português. Muito vai depender do valor dado pelo filho mais velho ao português (veja o post Crianças bilíngues e o valor das línguas), portanto aqui o papel dos pais em fazer com que o primeiro filho valorize a língua portuguesa tem dupla importância.

Quando o irmão mais velho fala com o mais novo na língua majoritária, diminui as chances do menor de aprender português, pois além de ter menos exposição ao idioma, o mais novo vai achar que a língua falada pelo mais velho é a mais importante das duas, e não vai sentir necessidade de falar português. O segundo filho aprende com o primeiro que inglês, por exemplo, é a língua do poder, e ao mesmo tempo é desencorajado pelo irmão de usar português.

Alexandr Jarovinskij, mencionado acima, notou no seu estudo que filhos mais novos relutavam em falar a língua minoritária porque os irmãos mais velhos, que eram mais proficientes, geralmente criticavam e muitas vezes ridicularizavam o uso incorreto da língua por eles. Isso fazia com que os menores tivessem vergonha de tentar falar a língua minoritária e passassem a usá-la cada vez menos. E quanto menos uma criança usa uma língua, menos chances tem de aprendê-la.

Aulas, grupos de pais, etc
A influência de esforços conscientes dos pais para ensinar a língua à criança através de exposição a ambientes que propiciam o aprendizado, como escolinhas de português, grupos de pais, etc, diminui muito com o segundo filho. Existem várias razões para isso ocorrer, mas o fato é que na prática na maioria dos casos o primeiro filho acaba tendo mais oportunidades de aprendizado do que o segundo.

Conclusão
É importante que os pais estejam cientes dos problemas que podem vir a ocorrer quando o segundo filho chega, e se preparem para lidar corretamente com a situação, que exige um esforço extra da parte deles. A família deve estar atenta ao fato de que estratégias diferentes podem ser necessárias com relação ao segundo filho. Por exemplo, os pais podem tentar persuadir o filho mais velho a ajudá-los a ensinar o irmãozinho a falar português ao invés de criticá-lo por não ser proficiente. Os pais devem também notar se têm uma tendência a usar a língua majoritária ao invés do português com os filhos mais novos e conscientemente evitar fazê-lo. E se bilinguismo é uma meta para o segundo filho também, a família deve se esforçar para dar a ele acesso às mesmas oportunidades de desenvolvimento linguístico que o primogênito teve – e talvez até mais.







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quinta-feira, 24 de março de 2011

Mais livros infantis em português

No post Livros infantis em português disponíveis online prometo postar mais links para livros em português que podem ser encontrados na International Children’s Digital Library. Como promessa é dívida, seguem abaixo links para outros dez livros. As capas de alguns desses livros não foram traduzidas para o português, mas as páginas com o texto principal foram, portanto não desistam da leitura ao se depararem com uma capa em ingles ou alemão – apenas sigam clicando em frente, pois o texto principal estará em português.  

Boa leitura!




Momotaro, ou o menino pêssego

Eu não contaria mentiras

Era uma vez um jovem mago

Oscar

A moça que ordenhava vacas

Richard, o pássaro

Os três porquinhos

O corvo real

A bela adormecida

Ponto a ponto

Tyrone, o terrível

Waldo, um, dois, três

Waldo e a aventura na ilha deserta

Waldo no zoológico

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domingo, 20 de março de 2011

Livros infantis em português disponíveis online

A International Children’s Digital Library (ICDL, ou Biblioteca Digital Infantil Internacional) é uma fundação que coleciona livros infantis de dezenas de países em versão digital. A missão da fundação é ajudar crianças do mundo todo a se tornarem membros efetivos da comunidade global através de tolerância e respeito a diversas culturas, línguas e idéias - oferecendo o melhor da literatura infantil mundial online gratuitamente.  A coleção inclui 4.459 livros em 54 idiomas e tem usuários em 228 países diferentes. Os livros também estão disponíveis através de aplicativos para iPhone e iPad. 
O direito de publicar os livros no seu site e distribuí-los eletronicamente é concedido à ICDL gratuitamente pelos autores. Os livros são então traduzidos para vários idiomas por voluntários.

Se você é autor de livros infantis e gostaria de divulgar sua obra através da ICDL, pode conceder o direito não exclusivo de transmissão eletrônica à fundação e ter seus livros adicionados ao arquivo. Maiores detalhes aqui. Se você gostaria de ser voluntário da ICLD e traduzir livros para idiomas que você domina, entre em contato com a fundação. Você também pode ajudar a ICDL se tornando seu embaixador – veja como clicando aqui

Abaixo, links para alguns dos livros disponíveis em português. Links para outros livros em português aparecerão num post futuro. Boa leitura!

 



sábado, 19 de março de 2011

Blogagem Coletiva: Mães Internacionais – O parto na Inglaterra

O tema da blogagem coletiva deste mês – o parto - é um que para mim faz parte de um passado meio distante, pois minha única filha já está com 12 anos. Mesmo assim, aceitei o desafio – minha contribuição segue abaixo.
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No 6° mês de gravidez nos mudamos da Noruega para a Inglaterra. Algum tempo antes mesmo da mudança comecei a investigar e fazer planos para o parto, que aconteceria em Londres, onde iríamos morar e trabalhar.

Hospital público ou particular?
Uma das primeiras coisas que fiz quando soube que estava grávida – depois de me certificar que minha querida mãezinha poderia vir do Brasil para estar conosco na época do nascimento - foi investigar se o plano de saúde oferecido pela minha empresa cobriria o custo do parto num hospital particular. Descobri que não cobriria.  A norma aqui era ter filhos em hospitais públicos. 
   
No entanto, ao longo dos anos conheci mães que tiveram seus filhos no Portland Hospital, o único hospital particular com maternidade em Londres, ou em alas particulares de hospitais públicos, portanto há opções - pelo menos para quem pode pagar.


Quem opta por hospital particular normalmente paga pelos serviços do seu próprio bolso, pois os planos de saúde em geral não cobrem partos. Para dar uma idéia do custo, um parto normal no Portland Hospital custa perto de £3,000 e uma cesariana £4,000, incluindo 24 horas de estadia no hospital. Cada noite adicional custa £1,000. Além disso há o custo do obstetra, que vai de £3,000 a £4,000, mais o do anestesista. O total normalmente fica bem acima de £10,000.

Os custos são um pouco mais baixos - mas não muito - nas maternidades de alas particulares de hospitais públicos, como na Lansdell Suite no St Thomas’ Hospital em Londres. Abaixo, o comentário de uma mãe que teve uma filha lá há alguns anos:
“Tive minha segunda filha no Lansdell em agosto de 2006. O parto ocorre na maternidade do hospital [público] portanto não é diferente da opção do NHS, mas se você ficar na ala particular você tem um médico cuidando de você e um time de funcionários à sua disposição. Acho que o custo total foi cerca de £7,500 incluindo médico, hospital, anestesista e pediatra. Eu fui muito bem atendida e vou voltar lá para ter o bebê número 3.”

Devido ao alto custo dos hospitais particulares e à falta de cobertura por planos de saúde, bem como pelo fato das maternidades públicas em geral serem boas, a grande maioria das mulheres continua optando por dar à luz em hospitais públicos. 

Parto normal ou cesariana?
A Rainha Elizabeth II nasceu de cesariana em 1926. Algumas fontes dizem que ela teve seus quatro filhos também por cesariana, mas não consegui confirmar a veracidade dessa informação. Já a Princesa Diana teve seus dois filhos por parto normal.

Pouco mais de 20% dos partos na Inglaterra são cesarianas – a maioria delas de emergência. Nos hospitais públicos, onde acontece a maioria esmagadora dos partos, praticamente não ocorrem cesarianas eletivas.

Assume-se que o parto vai ser normal, a não ser que a mulher tenha algum problema de saúde ou complicação da gravidez e que a cesariana seja recomendada por razões médicas. No entanto, quem teve o primeiro filho por cesariana de emergência pode optar por ter os seguintes por cesariana também, mesmo que não haja razões médicas óbvias para tal.

Na Inglaterra existe uma expressão um tanto pejorativa usada para descrever mulheres que têm cesarianas eletivas: ‘too posh to push’ (algo como ‘chique demais pra fazer força’).

Parto domiciliar
As naturalistas podem optar por ter ter seus filhos em casa, pois as mulheres têm direito garantido de escolher o local onde querem dar à luz. Mesmo assim, apenas 2% dos partos são domiciliares. Para quem tem interesse, mais informação aqui

A nossa experiência
Ao chegar a Londres nos associamos ao National Childbirth Trust (NCT), onde frequentamos o curso pré-natal e, além de receber informações importantes e adquirir um pouco mais de segurança para encarar a empreitada, conhecemos outros casais na mesma situação. Especialmente para quem está longe da família, o NCT é um sistema de apoio bem bacana, que eu recomendo.


Decidimos que o parto seria num hospital público. Por essa razão, a qualidade dos hospitais locais foi um fator importante na decisão de em que bairro morar quando nos mudamos, pois o normal é as mulheres terem seus filhos no hospital da região onde vivem.

Tive apenas que me registrar com um GP (general practitioner, ou clínico geral), como é de praxe aqui, e ele cuidou de todos os detalhes práticos relativos aos meses finais da gravidez e ao parto. O acompanhamento pré-natal foi feito pela parteira que atendia na clínica dele. Ela também me acompanhou durante várias semanas após o parto, vindo até a nossa casa para examinar o bebê e a mamãe regularmente.

Fiz apenas duas visitas a obstetras: uma para um exame de rotina e uma porque minha filha não tinha nascido após 41 semanas de gestação. Nessa ocasião o médico conversou comigo sobre a possibilidade de induzir o parto. Pedi que não induzissem e esperassem pelo menos mais duas semanas, o que eles concordaram fazer.  E assim foi durante todo o processo, tanto no pré-natal quanto no parto em si: prevaleceu sempre a minha vontade. Portanto, é super importante estar bem informada. Eu por exemplo descobri que o hospital onde ia ter minha filha oferecia a possibilidade da parturiente ficar num quarto individual, mediante o pagamento de £35 por noite,
se fizesse o pedido com antecedência. Claro, não havia possibilidade de reservar o quarto, tudo dependia de um estar disponível no dia que eu desse à luz. Foi o que ocorreu. E como o bebê ficou no quarto comigo, a nossa estadia no hospital deixou ótimas lembranças.

Em cada visita pré-natal ao obstetra a gestante vê um médico diferente, e o obstetra que efetivamente faz o parto é o que estiver de plantão na maternidade na hora. No meu caso o parto foi feito por um médico grego, que por sorte eu já conhecia - ele era o médico que tinha concordado em não induzir o meu parto.


Vou poupar o amigo leitor dos detalhes gráficos do evento, mas vale dizer que no momento do nascimento de nossa filha a sala de parto parecia uma conferência das Nações Unidas: uma mãe brasileira, um pai norueguês, um médico grego, uma parteira inglesa, outra filipina – e um bebê que ao nascer já tinha três nacionalidades. Assim começava a interessante jornada multilíngue e multicultural de nossa filhota, desde o primeiro momento temperada com uma dose maciça de internacionalismo.

Copyright © Claudia Storvik, 2011. All rights reserved.



Para ler os posts de outras mães participantes da Blogagem Coletiva: Mães Internacionais sobre o parto em seus países clique aqui.


segunda-feira, 14 de março de 2011

Visita ao London Science Museum


No sábado 12 de março aconteceu a visita ao London Science Museum em português, organizada por 'Filhos bilíngues'.




Cerca de 30 crianças e 20 adultos participaram da visita, que foi guiada pela Fernanda, uma paulista nota mil que trabalha no setor educacional do museu há muitos anos.

O tour em português passou por várias galerias super interessantes. Quando visitamos a sala dos aviões a Fernanda nos mostrou e contou curiosidades sobre o único item do museu que tem uma ligação com o Brasil: um modelo do 14-Bis, o avião inventado por Santos Dumont.
  


Todos assistiram ao animado Bubbles Show, apresentado pela Jane, uma carioca que além de ser uma talentosa funcionária do museu é também mãe de dois pimpolhos bilíngues lindos.

As crianças participantes foram maravilhosas. A maioria absoluta falava português e participou com muito entusiasmo de todas as atividades da visita. Todas muito bem comportadas e educadas - só faziam bagunça quando os adultos puxavam o cordão. Estão de parabéns!



O meu plano era levar ao museu um grupo de no máximo 30 crianças. Quatro dias depois do anúncio da visita aqui no blog todos os 30 lugares já haviam sido reservados.  Recebi muitos outros pedidos de reserva que não pude acomodar e por isso estou planejando uma nova visita no futuro para as crianças que estão na lista de espera.

Para mostrar um pouquinho da visita do dia 12, minha filha fez o clip abaixo com algumas das fotos que tirei. O conceito, texto, sonorização, arte e design do clip foram todos desenvolvidos por ela, que fez o trabalho para homenagear o pessoal do museu, especialmente a Fernanda e a Jane, a quem agaradecemos muito.

Até a próxima!




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sexta-feira, 11 de março de 2011

23 dicas sobre bilinguismo

As brasileiras Regina Camargo e Eliana Elias são especialistas em educação infantil e há muitos anos moram em São Francisco, nos Estados Unidos. Elas também são mães e lideram um grupo de pais que organiza atividades para incentivar o ensino de português para crianças na região onde vivem. Regina e Eliana escreveram um artigo excelente, que contém a lista mais completa de dicas práticas sobre educação de crianças bilíngues que já encontrei em língua portuguesa, e gentilmente autorizaram a reprodução do artigo aqui no blog. As ótimas dicas das duas educadoras portanto seguem abaixo. Boa leitura!

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Brasil ou Brazil? Nossas crianças têm de escolher?

Por Regina Camargo e Eliana Elias

Muitos pais nos pedem sugestões práticas para continuarem a apoiar o desenvolvimento da língua portuguesa dentro de casa. A verdade é que existem muitas formas de se fazer isso, e nem todas as estratégias usadas serão bem sucedidas em todas as famílias. Temos que considerar várias diferenças: nível educacional da família, temperamento das pessoas envolvidas, línguas faladas por outros membros da família, etc. Porém, entendemos que a formação de uma identidade cultural sadia e o desenvolvimento de relacionamentos positivos dentro da família são fundamentais para qualquer aprendizado. Portanto, longe de criarmos uma lista completa, estaremos dividindo algumas sugestões que nos ajudaram na formação da nossa abordagem educativa.







1- Faça um esforço consciente - A perda da língua materna ocorre na maioria dos grupos de imigrantes. Quando a criança é cercada por uma língua dominante, ela tende a desenvolver a preferência pela língua falada na escola, na rua e nos meios de comunicação. Famílias de imigrantes que querem apoiar o desenvolvimento da língua materna têm de fazer um esforço consciente para que isso aconteça.

2- Cultive relacionamentos positivos - A língua não passa de um veículo para unir as pessoas. O ser humano nasce com o instinto natural de se comunicar, de compartilhar experiências com outros seres humanos. A base de todo aprendizado está no relacionamento. Relacionamentos positivos ajudam na formação de uma comunidade receptiva, que estimula a comunicação.

3- Mantenha a naturalidade - Muitos pais desistem de falar sua língua nativa quando seus filhos começam a responder na língua dominante. Outros se tornam militaristas, e forçam o uso do português dentro de casa, a ponto de transformarem as interações entre pais e filhos em algo extremamente negativo. O ideal é procurar um equilíbrio. A melhor forma de se cultivar a língua é criar um ambiente natural e positivo, onde nenhuma língua é proibida.

4- Crie um ambiente onde todos os membros da família possam conversar e trocar idéias - Muitos imigrantes levam uma vida muito corrida, sempre trabalhando muito. É preciso lembrar que a criação de rotinas familiares, como refeições, idas ao parque, passeios e eventos festivos formam a base da vida afetiva da criança. Temos que, deliberadamente, criar rituais onde os membros da comunidade possam achar oportunidades para comunicação diária.

5- Evite usar as crianças como intérpretes dos mais velhos - Crianças tendem a aprender a língua do país hospedeiro bem mais rapidamente que seus pais. Em muitas comunidades de imigrantes as crianças tornam-se tradutoras. Pesquisadores têm documentado os efeitos negativos que essas práticas, aparentemente inofensivas, têm na formação da identidade das crianças. Ter um papel de tamanha responsabilidade confunde a criança, que passa a ver os pais como incapazes. Essa mudança na hierarquia familiar traz problemas que são ainda mais visíveis nos adolescentes. Os pais que aprendem a língua dominante ou que procuram manter a hierarquia familiar intacta têm mais chance de manter um relacionamento sadio com seus filhos.

6- Crie oportunidades para a criação de projetos - Projetos simples, como pintar um quarto, fazer um bolo, escrever uma estória, costurar uma roupa ou confecionar um carrinho de madeira, proporcionam plataformas para desenvolvimento de vocabulário rico e um contexto de aprendizagem novo e cativante. Crianças amam um projeto!

7- Veja as crianças como fontes de inspiração - Observe as ‘paixões’ das crianças e incentive essas paixões. Futebol? Animais? Música? Quase todos os assuntos tornam-se ricas fontes de aprendizado.

8- Fique atento aos ‘erros’ - Tente não se tornar a ‘polícia linguística’ de seus filhos. A correção excessiva dos erros pode inibir o desenvolvimento natural da língua. Porém, fique atento aos erros. Eles podem ser fonte de informação interessante… uma das estratégias efetivamente usadas é repetir a frase corretamente durante a conversa. Outra é simplesmente ‘guardar’ o erro e falar sobre ele dentro de um outro contexto.

9- Crie um ambiente linguisticamente rico - Incentive boa música, livros e oportunidades para conversar. Leia! Leia! Leia! A força da leitura não pode ser minimizada. Livros desenvolvem o vocabulário, a capacidade de compreensão, o conhecimento geral e a criatividade.

10- Use um vocabulário variado e fuja das palavras comuns - O fato de estarmos morando fora do nosso país faz com que as fontes de inspiração linguísticas dos nossos filhos sejam limitadas. Por isso devemos fazer um esforço contínuo para darmos a eles a experiência de um vocabulário variado. Por exemplo: ao invés de dizer simplesmente “Que sorvete bom!”, exagere, diga “Esse sorvete está extremamente delicioso… nunca provei algo assim… um manjar dos Deuses!”.

11- Use gestos e repetições - A linguagem corporal tem um valor muito grande dentro da comunicação. Use e abuse de gestos para criar um contexto onde as palavras possam se encaixar normalmente. Se a criança não entender algo, evite a tradução. Mude as palavras, explique de outra forma. Use a tradução somente quando extremamente necessário.

12- Crie contextos diferentes e divertidos - Passeios, shows, brincadeiras e jogos são ótimas formas de estimular a imaginação e o uso da linguagem.

13- Estimule a formação de uma comunidade - Crianças e adolescentes precisam de ‘espelhos’ que reflitam suas realidades. A conexão com outras pessoas que desfrutam de experiências similares estimula a formação de uma identidade cultural sadia.

14- Demonstre interesse pela leitura e pela beleza da linguagem - Crianças imitam o comportamento dos pais. Seja expressivo sobre seu interesse pela beleza da língua portuguesa. Leia para seus filhos, leia com seus filhos e leia enquanto seus filhos estejam observando você.

15- Faça um investimento em materiais educativos - Evite entrar nas armadilhas da sociedade de consumo! Busque brinquedos educativos e reusáveis. O ato de brincar é importantíssimo para a formação cognitiva da criança.

16- Evite atividades passivas - Crianças que passam muitas horas na frente da televisão ou do computador perdem a chance de interagir ativamente com outras pessoas ou com materiais educativos.

17- Construa ‘pontes’ de entendimento entre a escola e a família - Mesmo as famílias que não falam a língua dominante devem desenvolver um papel ativo na escola. Procure formas de participar da vida escolar de seus filhos.

18- Cultive orgulho pela nossa cultura, língua e costumes - Nossa língua está intimamente conectada com nossa cultura.

19- Evite ser excessivamente patriótico - Um grande número das crianças brasileiras imigrantes não retornará ao Brasil. Viver com essa realidade é entender o papel que temos na formação de crianças que têm aptidão multicultural. É importante cultivarmos a apreciação por TODAS as culturas e línguas que nos cercam. E também importante não colocarmos a cultura hospedeira e a cultura brasileira em competição.

20- Fale abertamente sobre as diferenças culturais - Explicações simples como: “No Brasil as pessoas se cumprimentam com três beijinhos e aqui a gente aperta a mão.” São mais descritivas que julgamentos como: “No Brasil as pessoas são mais calorosas, aqui todo mundo é tão frio!”.

21- Fale sobre o processo de aprendizagem da língua, tornando-o consciente - O processo de desenvolver duas línguas é às vezes complicado. Conversando com as crianças sobre esse processo podemos ajudá-las a desenvolver ferramentas para que elas possam melhor enfrentar os desafios.

22- Evite usar o português como forma de chamar a atenção das crianças - Temos que procurar construir laços positivos com o português. Por isso, usar o português somente para corrigir o comportamento das crianças não é recomendável.

23- Procure manter laços com sua família brasileira - A tecnologia nos disponibiliza muitas formas de continuarmos a ter contato com nossas famílias no Brasil. Telefonemas, cartas, e-mails e vídeos se tornam influências poderosas na formação das crianças. Meus filhos, por exemplo, adoram receber vídeos dos tios, tias e primos. Nesses vídeos, alguns membros da família contam estórias, outros leêm livros e outros simplesmente mandam recados.

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[O artigo acima foi publicado originalmente no site Contadores de Estórias]


quarta-feira, 9 de março de 2011

Seu filho: o próximo 007?

Um artigo interessante publicado hoje no site da BBC News conta que GCHQ, uma das agências do serviço secreto britânico, tem mais de 70 ‘embaixadores’ que visitam escolas pelo país afora com a finalidade de promover o estudo de línguas estrangeiras, ciências e tecnologia, e acima de tudo transmitir para as crianças a idéia de que se desenvolverem essas habilidades elas podem vir a ter uma excelente carreira no serviço secreto britânico.  




Uma das preocupações do GCHQ é que o número de pessoas com capacidade de falar bem várias línguas está diminuindo notadamente na Grã-Bretanha, e que o estudo de línguas estrangeiras está se tornando cada vez menos popular nas escolas secundárias. A agência de inteligência tem tido grande dificuldade em recrutar indivíduos com as competências linguísticas necessárias a bons agentes secretos, e está tentando agir proativamente.

Vários alunos entrevistados pela BBC numa das escolas visitadas pelos embaixadores do GCHQ já haviam decidido aprender a falar outros idiomas para trabalhar como espiões no futuro. Segundo um deles, “a competência em línguas estrangeiras pode ajudar a defender o país”.  

O artigo da BBC News pode ser lido aqui 


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